10 de maio de 2023, 11:08

COMPORTAMENTO HUMANO EM SITUAÇÕES DE INCÊNDIO


Publicado em 10/03/2013

 

Por Silvio Leonardo Vieira Prado (1) – CAP QOBM do CBMSE

De uma forma geral, a pessoa tem um comportamento adaptativo, ou seja, consegue abandonar o edifício sem se afastar dos padrões normais de comportamento. Entretanto, em alguns casos, podem surgir alguns fenômenos que contribuam para que o indivíduo passe a ter um comportamento não adaptativo. Um comportamento não adaptativo pode ser definido como um conjunto de ações que contribuem para dificultar a evacuação do edifício e o próprio combate a incêndio (ONO e VALENTIN, 2006).

A probabilidade de um comportamento não adaptativo aumenta se não forem consideradas as seguintes medidas de segurança contra incêndio:

• Concepção correta dos caminhos de evacuação (visibilidade das saídas, larguras suficientes, adequada relação entre largura e altura dos degraus das escadas, existência de corrimãos nas escadas, etc);

• Existência de sinalização de segurança;

• Existência de iluminação de emergência;

• Detecção do incêndio em sua fase inicial e adequados sistemas de alarme;

• Existência de lugares de refúgio e sistema de comunicação com os ocupantes (edifício muito alto);

• Sistema adequado de controle de fumaça.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É importante compreender que o tempo total de abandono é composto por várias parcelas de tempo. Faz-se necessário entender cada uma destas parcelas de tempo, pois se a somatória de tempos que precedem o caminhamento for muito alta, quando o ocupante decidir efetivamente iniciar o movimento, o limite tolerável pode ser mínimo, ou seja, os gases quentes e tóxicos podem já ter invadido as rotas de fuga ou o incêndio pode já ter se alastrado (ONO e VALENTIN, 2006).

O tempo de abandono inclui:

• Tempo de detecção do incêndio – pode ser curto quando as pessoas estão despertas no recinto em que iniciou o incêndio, ou longo se o incêndio ocorrer em sala distante da presença de pessoas e não houver sistema de detecção automática de incêndio. Neste caso, ao ser descoberto, o incêndio já terá se desenvolvido, gerando uma grande quantidade de fumaça ou gases tóxicos;

• Tempo de alarme – depende das ações realizadas pelas pessoas que tomam conhecimento do incêndio ou das características dos sistemas de detecção e alarme;

• Tempo de reconhecimento – mesmo soado o alarme muitas pessoas querem se certificar do que está havendo antes de decidir abandonar o local;

• Tempo de resposta – algumas pessoas ainda vão executar certas tarefas antes de iniciarem o abandono. Estas tarefas podem ser de caráter pessoal ou tarefas necessárias referentes a algum tipo de processo produtivo. A soma do tempo de reconhecimento e de resposta é denominada de tempo de pré-movimento;

• Tempo de caminhamento – é aquele efetivamente gasto no deslocamento para a saída. Inúmeros fatores influem neste tempo como o estado físico e mental das pessoas e a idade, entre outros. Este é o tempo que está relacionado às distâncias de caminhamento citadas nas normas e regulamentações.

 

O conhecimento que se tem obtido, tem resultado em um estereótipo de conduta irracional ou de pânico, o qual tem estimulado o estabelecimento de normas de segurança contra incêndio, estabelecendo a obrigatoriedade da observância de novas soluções tecnológicas baseadas no dito estereotipo. Em estudos realizados nos Estados Unidos e Inglaterra sobre os diferentes comportamentos das pessoas nos incêndios, foram apresentadas três situações que, frequentemente, poderão acontecer (PEREIRA, 2006):

1. O componente humano como causa do incêndio;

2. Os planos ou modelos para uma primeira resposta ao incêndio;

3. Os processos de fuga e evacuação durante o incêndio.

 

Os investigadores observaram toda série de condutas produzidas durante o desenvolvimento de um incêndio real. Os registros sobre essas condutas foram obtidos mediante estudos estatísticos de um grande número de incêndios ou através do estudo de casos, em profundidade, de um incêndio em particular.

Os incêndios em edifícios demonstraram que a maioria das pessoas se comportava de forma adequada, ainda que se tivesse detectado a existência de condutas não apropriadas, como a falsa interpretação da situação e a demora em responder aos primeiros comunicados sobre a existência do incêndio. Nessas edificações foi detectado, além disso, fatores diferenciais como a importância dos seus serviços de segurança na administração do sinistro antes da chegada dos bombeiros.

Da análise dos incêndios catastróficos que houve no mundo, verifica-se que o ponto nevrálgico das edificações é a vulnerabilidade de circulação interna seja elas horizontal ou vertical aos efeitos do incêndio (fumaça, calor e chamas).

Nesse contexto é que o projeto de combate a incêndio e pânico interfere na segurança física das vias de circulação horizontal e vertical. As escadas a prova de fumaça, a sinalização e iluminação de emergência, o correto dimensionamento dos hidrantes de parede e extintores possibilitam uma evacuação segura das pessoas para fora da edificação até a chegada do Corpo de Bombeiros.