9 de maio de 2023, 11:40

Queimadas podem provocar o desaparecimento de riquezas naturais em Sergipe


Publicado em 06/10/2009

Queimadas podem provocar o desaparecimento de riquezas naturais em Sergipe

Por falta de orientação ou por falta de educação ambiental, os incêndios em vegetação são cada vez mais freqüentes em nosso Estado, sobretudo, em determinados meses do ano, nos quais os índices pluviométricos atingem níveis críticos. Por conseqüência, o clima seco favorece as queimadas que, quase sempre, têm a influência humana.

São muitas e diferentes as formas de se causar um incêndio em vegetação, contudo, são totalmente imprecisos os resultados e as conseqüências de cada uma delas.

Muitas pessoas, para se livrarem do lixo, põem fogo nos resíduos em locais impróprios e, muitas vezes, próximos à vegetação. Em determinado momento, o fogo se propagado rapidamente, foge do controle e produz prejuízos que podem ser irreparáveis à natureza.

Ao longo das estradas e rodovias também são verificadas várias queimadas. Isso se deve principalmente à ação de motoristas que jogam “pontas” de cigarro acesas na vegetação, provocando queimadas que se alastram, dificultando a visibilidade dos motoristas e muitas vezes causando acidentes e mortes.

Com a mesma gravidade, apesar de ser uma prática muito comum, atear fogo para limpeza de áreas agrícolas, as chamadas queimadas controladas, provocam aumento da concentração de gases como CO2 (gás carbônico), CH4 (gás metano), CH3Cl (cloro metano), causando mudanças na atmosfera e provavelmente no clima do planeta, além de produzir espessas camadas de fumaça, que poluem o ar em nível regional.

Dessas queimadas controladas, ainda decorrem processos de erosão e degradação do solo, que tem sua fertilidade diminuída, culminando com o extermínio de elementos da flora e da fauna locais, muitos deles ainda não identificados ou não estudados.

Para se ter uma ideia do problema, segundo o relatório do Centro de Estatística e Análise Criminal Integrada da SSP, nos meses mais críticos do ano, o Corpo de Bombeiros chega a atender 205 ocorrências de incêndio/mês, sendo que 79,5% delas estão relacionadas a queimadas (incêndio em terreno baldio, em vegetação e em mata aberta), com uma média de 7 ocorrências diárias, gerando uma demanda que exige a atuação de um grande número de bombeiros, ocupando diversas viaturas e equipamentos que são exigidos ao extremo.

Para o Tenente-Coronel Josué Costa, assessor de comunicação do Corpo de Bombeiros, os incêndios em vegetação geralmente são provocados pelo próprio homem. “Muitos desses acidentes poderiam ser evitados, se as pessoas fossem mais conscientes, porque os prejuízos causados à natureza podem ser realmente irreversíveis, como a perda de grupos genéticos da flora e da fauna, inclusive, contabilizando o desaparecimento de nascentes que nunca mais fluirão, desencadeando um forte desequilíbrio ambiental, cujas consequências serão sentidas por todos”, informou o assessor.

Todo esse quadro já seria preocupante, mas os efeitos das queimadas podem ser ainda mais devastadores, pois elas atingem, em cheio, a rica biodiversidade da vegetação presente no Estado. Segundo Marcos de Melo Bezerra, aluno do 9º período do Curso de Engenharia Florestal da UFS, que está desenvolvendo uma pesquisa para levantar dados sobre queimadas em áreas de vegetação em Sergipe, a prática comum de atear fogo em vegetação está destruindo, também, a cobertura de dunas, restingas, manguezais, Mata Atlântica, vegetação de áreas de transição e caatinga. “Para entendermos melhor a gravidade desse processo, Sergipe hoje é o fiel guardião de uma área descontínua de Mata Atlântica que representa apenas 1% desse bioma na região Nordeste, de tal forma que as queimadas podem provocar, em pouco tempo, o desaparecimento por completo dessa riqueza natural em nosso Estado”, informou o aluno pesquisador, que também é integrante do Corpo de Bombeiros.


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