10 de maio de 2023, 09:14

SSP vai mapear os níveis de estresse dos profissionais de segurança de Sergipe.


Publicado em 17/06/2010

A Secretaria de Segurança Pública (SSP), através de um convênio com a Secretária Nacional de Segurança Pública (Senasp), deu início na manhã dessa quinta feira, 17, a primeira etapa de uma série de 30 palestras para mapear e diagnosticar os níveis de estresse nos policiais militares, policiais civis e bombeiros militares de Sergipe. O evento aconteceu em um dos auditórios do hotel Aquários, na Orla de Atalaia, e faz parte do Programa de Prevenção e Gerenciamento do Estresse para Profissionais da Segurança Pública de Sergipe.

A aplicação do programa está sendo encabeçada pelo Centro Integrado de Apoio Psicossocial (Ciaps), com apoio técnico da empresa Instituto de Psicologia e Controle de Estresse, de Campinas, interior de São Paulo. De acordo com a diretora do Ciaps, psicóloga Iolanda Aragão, o projeto será desenvolvido em Sergipe e em mais nove Estados do Brasil. “A segurança pública é uma área de trabalho que exige um esforço psicológico, onde os trabalhadores enfrentam no seu dia-a-dia graves níveis de estresse e é nesse enfrentamento que as seqüelas deixadas no corpo e na mente acabam trazendo conseqüências de saúde e tantas outras limitações na vida”, disse.

Iolanda ressaltou que o projeto será desenvolvido em duas etapas: “Uma delas é a estruturação do núcleo de atenção e gerenciamento do estresse, que está sendo implantando no Ciaps. Uma segunda etapa consiste no desenvolvimento do programa de gerenciamento do estresse, que se inicia pelo mapeamento dos processos de aborrecimento, as condições de trabalho e a relação que essa condição de trabalho estabelece no processo de adoecimento dos trabalhadores. Uma vez mapeada essa realidade a equipe técnica, que faz parte do núcleo, será capacitada para atender essa clientela de acordo com a demanda apresentada”, concluiu.

De acordo com a doutora Marilda Emmanuel Novaes Lipp, Phd em psicologia, diretora do Instituto de Psicologia e Controle do Estresse (CPCS), um dos principais objetivos do programa é desenvolver atividades que contemplem os servidores da instituição Secretaria de Segurança, composta pela Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros Militar e Cogerp, para desenvolverem ações voltadas para a segurança do Estado.

Marilda ainda explicou que o programa de Prevenção e Gerenciamento do Estresse “é embasado em pesquisas científicas e tem como objetivo prevenir e ajudar as pessoas que experimentam elevados níveis de estresse a minimizar os agentes estressores e a aprender a melhor lidar com eles. Pois o estresse causa problemas de relacionamentos, doenças como hipertensão, problemas de pele, gastrite, queda de produtividade no trabalho, depressão, dificuldades sexuais entre outras”, relatou.

O projeto de qualificação dos servidores da segurança pública será desenvolvido até o mês de dezembro, mas espera-se que a partir da implantação do programa os profissionais de segurança pública que forem qualificados, possam continuar conscientizando e dando apoio aos demais a assistência necessária. Seguindo todo o roteiro de orientações, como detectando, fazendo análises e acompanhamentos, através do mapeamento feito de acordo com o resultado do diagnóstico que será realizado com todos que procurarem o serviço no núcleo psicossocial.

Para o subcomandante geral da Polícia Militar, coronel Eduardo Santiago, a estatística elaborada atualmente sobre os níveis de estresse na segurança pública aponta que as causas do problema muitas vezes estão relacionados com outros fatores fora do trabalho policial. “É preciso um trabalho mais focado nos indicadores de estresse para ajudar a melhorar a qualidade de vida do nosso policial”, disse.

Já o major do Corpo de Bombeiros, Luiz Henrique Melo Santos, que participou da primeira palestra-diagnóstica, os assuntos abordados “procura dirimir as dificuldades do trabalhador da segurança pública que tem o foco no estresse trazido por nossa profissão”, informou. Ele acredita que é importante conhecer o nível de estresse da corporação para poder lidar melhor com determinadas situações.

Conforme a psicóloga Marilda, os fatores estressores da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros são de fato diferentes. “Os bombeiros precisam ter tranqüilidade e paz de espírito para não se desesperar diante de uma situação de intensa agonia, como em salvamento de vítimas. Já na Polícia Militar o estresse do policial pode ter conseqüências danosas para a população, pois se ele estiver nervoso pode interpretar determinada situação de maneira errônea e entender um simples fato como um desacato a autoridade”, explicou.

Dados – Atualmente, o CIAPS atende 40 profissionais de segurança pública e seus respectivos familiares. “A partir desse diagnóstico que será feito até dezembro deste ano com 25% do efetivo de cada corporação da SSP poderemos aumentar esses dados, pois o foco desse trabalho é agir de maneira preventiva e, se for preciso, intervir”, finalizou Iolanda Aragão.